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A Ilha


No mar do descaso; dos eufemismos conservacionistas; da flexibilidade ética; da diversidade estética, do politicamente correto, próximo ao continente, existe uma ilha: uma ilha de controvérsias e contradições. Escondida por trás de um denso nevoeiro, que esconde sua forma, seu relevo, sua fauna, flora e seus habitantes. Estes, contam as lendas, legítimos descendentes da Esfinge de Gizé, que, em sua homenagem, enfunam em sua bandeira multicolorida o lema: “Decifra-me ou te devoro”.

Aliás, a bandeira multicolorida – tremulando sobre o nevoeiro – é a única parte da ilha que podemos avistar ao longe, de todas as direções. Oscila como um convite ou como um aviso. Contam as lendas que seus habitantes dominam a arte do mimetismo e da transmutação, de tal forma, que todos afirmam, categoricamente, que não existe vida inteligente na ilha. Contam as lendas, que de lá nenhum ser vivente retornou para contar uma história real: sobre a ilha, tudo é lenda!

Preocupado com essa inexistência existente, o Líder da Ilha resolveu mostrar a cara. Apareceu no continente, ninguém sabe como, num belo dia de sol. Era um cidadão comum como esses que se vê na rua – continuando como cantava Belchior - falava de negócios, ria, via show de mulher nua. Era um homem de bons modos: “com licença”; “foi engano”... Como cartão de apresentação o homem entregava aos seus expectadores uma miniatura da ilha esculpida em puro ouro. As pessoas ficavam tão maravilhadas com este presente que sequer olhavam no rosto do Líder dos Ilhéus.

Rapidamente a miniatura virou moeda de troca entre os habitantes do continente: todos queriam tê-la.

O encanto dos habitantes do continente, pelo Líder dos Ilhéus, era tanto que todos procuravam conhece-lo e, freneticamente, desejavam a pequena escultura dourada, que a esta altura já era considerada a imagem do paraíso. Mas havia um problema: ninguém se lembrava do rosto do Líder. Pisar no solo da ilha, ainda, era uma viagem incerta, dizia-se que nem todos seriam aceitos. Viajariam, apenas, aqueles que possuíssem o famoso cartão de visitas, que agora tinha o status de convite. O que as pessoas fariam na ilha, também, era um completo mistério, mas todos afirmavam as maravilhas que seria estar no solo insular. Assim foi organizado um cruzeiro para todos que já possuíam convites.

Da mesma forma que surgiu, o Líder dos Ilhéus sumiu do continente, mas ninguém notou a sua ausência. Estavam todos excitados com a viagem para a ilha. Quem ia estava feliz, quem ficava, por puro desdém, ignorava a viagem e os que iriam viajar, fosse quem fosse. O desinteresse era tanto que no dia da partida não havia expectadores, ninguém estava no cais para trocar um adeus com quem partia. O navio partiu, ninguém soube, ninguém viu. Neste dia, os habitantes do continente já seguiam suas vidas como se nada tivesse acontecido, não havia uma só lembrança do Líder, da miniatura de ouro ou dos que partiram. Aqueles que passavam pelo cais e olhavam para o horizonte, avistavam, como sempre, uma ilha misteriosa e nada mais...
Contam as lendas que a ilha era habitada por estranhos seres extraterrestres, com sérios problemas de memória: felizes, viviam presos no tempo, revivendo, continuamente, o dia em que chegaram na ilha!


[Sousa, Vital. Apensar dos Pensares. Recife, 2.017]

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