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O Dia em Que Quase Conheci (Pessoalmente) Quintana


Em meados dos anos 80, num final de semana prolongado, estando eu em São Paulo para cumprir uma agenda profissional, me vi diante de uma bifurcação do meu destino. De um lado, voltar a Recife para um final de semana “avexado” para não perder a hora de voltar e do outro lado ficar em Sampa vazia e sem graça. A Paulicéia Desvairada com ou sem garoa não tem a menor graça sem o turbilhão e/ou frenesi de seus habitantes e seus carros. Não precisei tomar uma decisão... Uma terceira via se abriu com o convite de um colega Tchê! Deu prá mim, fui para Porto Alegre tchau!

De POA, caso desse alguma coisa errada com os horários e assentos dos aviões, poderíamos voltar de carro. Nossa empregadora tinha um convênio com uma empresa “rent a car” que viabilizaria esta solução eventual para não perdermos o “ponto” na “primeira hora” da segundona. Assim a decisão de ir para Porto Alegre foi tomada facilmente. Para nossa “turma” seria um final de semana de muita carne e muita erva... mate, claro.

Meu colega “tchê” era um caso à parte. Um “gauderio”, no melhor sentido desta palavra em idioma gauchês. Foi um cicerone perfeito. Visitas ao CTG; churrasco no café da manhã, almoço e jantar; muito chimarrão entre um passo e outro e a inconfundível verve poética do "gauderio", que sempre tinha, na ponta da língua, uma trova para recitar ou uma anedota sobre o assunto que tentávamos conversar. A princípio esses modos de “cancheiro” passou como pitoresco, mas na metade do segundo dia, a turma queria afogar o gaudério no Guaíba.

Ele, todo “faceiro”, não se fez de rogado e “aguentou o tirão”. Quando tomou conhecimento dos planos dos colegas. Contou-nos uma anedota sobre um gaúcho "macho-cho" que não sabia nadar. O “guasca” meteu-se numa “peleia” e para fugir, mesmo sem saber nadar, teve que atravessar o rio Guaíba com seu inseparável cavalo. No meio do caminho o “matungo” assustou-se e fugiu. Ficando sozinho, debatendo-se para não afogar-se o “macanudo” gritou a plenos pulmões – talvez o seu último suspiro...

- Te cuida Guaíba que eu te bebo todo!!!

Impagável. Gargalhadas à parte o “gaudério” tornou-se o nosso “chato preferido”. Neste ponto de nossa estada, fiz a conexão neural que me trouxe a lembrança de Mario (sem acento) Quintana: o meu chato favorito! Quase fui apedrejado quando puxei o "gaudério" para o assunto. Os outros ficaram de lado enquanto eu e o dito cujo viramos passarinhos e passamos a recitar o “Caderno H” e conversar sobre os detalhes gauchescos da biografia de Mario Quintana.

No meio da conversa descobri que estávamos bem perto de onde o “bom velhinho” – para mim ele tinha cada de Papai Noel – morava. Assim comecei a cogitar uma visita ao meu ídolo, mesmo sabendo que ele era avesso a esses salamaleques. Cogitamos “campear” para os lados da CCMQ (Casa de Cultura Mario Quintana), mas diante do isolamento a que fomos submetidos, pelas nossas preferências culturais, desistimos e retornamos ao objetivo inicial do final de semana: diversão profana, pura e simplesmente. Afinal, estava no último dia do feriadão. O dia seguinte seria para os finalmente e retorno a Sampa. Assim fechei um acordo com o "gaudério"...

- Amanhã, saímos mais cedo e damos uma passada pelo centro histórico, Quem sabe, oxalá, tomara, não damos de cara com o bom velhinho?!

Eu costumava chama-lo de “bom velhinho” pela contradição que era o seu rosto com a fama de ranzinza. Chamava-o de “bom velhinho” por pura provocação, como se ele pudesse me ouvir e me desse uma de suas respostas, poeticamente, irônicas: uma frase para a qual eu seria o “muso”... Enfim a glória!!!

Nosso programa estava marcado. Faríamos e check out no hotel, logo após o café da manhã, iríamos para o centro, onde almoçaríamos, e a tarde retornaríamos para a Terra da Garoa.

Chegamos à Praça da Alfândega por volta das 09:30 com a esperança de encontrar o Quintana no seu passeio matinal ou sentado em algum banquinho saboreando o seu cigarro ou um bom chimarrão. Demos voltas e mais voltas pela praça e pelos arredores, mas nada de Mario (sem acento como meu Antonio – tínhamos algo em comum: um nome grafado errado na hora do registro). Cogitamos fazer-lhe uma visita inesperada, não agendada, invasiva e indelicada. Seríamos mais uns chatos a tirar-lhe a paz. Desistimos, por respeito e por restar-nos um pouco de razão na enorme admiração que sentimos – sim, sentimos, no presente – por ele.

Almoçamos, nas redondezas, um belo e suculento T-Bone Steak, mais conhecido, simplesmente, como Chuleta por aquelas bandas, Bisteca nos restaurantes do meu “cariri” e Carré nos restaurantes mais chiques ou gourmets... Eu disse simplesmente? Osso no prato, carne no bucho e pernas para que te quero?

- Vamos embora que a garoa nos espera ainda dá tempo de comer uma pizza em alguma cantina do Brás!

Vaticinou meu colega de viagem e glutão de nascença. Entramos no primeiro táxi que apareceu. Ainda era cedo para ir para o aeroporto, mas eu decidi ir embora, haveria outras oportunidades para conhecer, pessoalmente, o Mario – sem acento.

Naquele momento eu não fazia a menor ideia de o quanto eu estava enganado. Naquele momento tomei, conscientemente, a minha única decisão sobre a qual pesa a afirmação: “eu me arrependo!”. Se arrependimento matasse, eu já teria conhecido o Mario, não pessoalmente, mas em espírito... Quem sabe!? O fato é que no retorno às atividades em São Paulo, fui informado seria transferido para João Pessoa, depois para Belém, Fortaleza e, finalmente, de volta para Recife. Anos mais tarde, em Fortaleza, alguns dias após “comemorar” o meu aniversário, ouvi no Jornal Nacional a Notícia do falecimento do “Bom Velhinho”. 5 de maio de 1.994: o dia em que descobri que uma oportunidade não bate duas vezes na sua porta... Nunca!

O tempo não para; o tempo não perdoa. Solicitei ao motorista que desse uma última volta na praça para termos um último contato visual e quem sabe avistar o Mario. Já quase terminando a volta e em direção ao aeroporto, o gaudério começa a gritar feito um louco:

- É ele! É ele! É ele! É o Quintana!!!

O motorista sem saber o que estava acontecendo, acelerou para não ficar preso num cruzamento – Acelerar no sinal amarelo: unanimidade nacional de taxistas?! – e a praça ficou para trás rapidamente, junto com as minhas esperanças de conhecer Quintana, pessoalmente, naquele final de semana. Eu poderia ter pedido para voltar e confirmar se o gaudério estava certo; eu poderia ter esperado mais tempo antes de partir; eu poderia... Mas havia os compromissos, os chefes, os problemas: todos que atravancavam o nosso destino. Segui em frente e até hoje, e sempre, este pensamento me vem à cabeça toda vez que ouço um pássaro cantar...

- Eu, simplesmente, poderia ter dito... Eu poderia ter dito: - Danem-se! “eles passarão, eu passarinho”!!!


Vital Antonio (sem acento) de Sousa

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